A Tristeza Parasitária Bovina pode afetar o desempenho produtivo e reprodutivo do seu rebanho. Vem com a Kersia descobrir mais sobre este complexo de doenças e como evitá-las!

A Tristeza Parasitária Bovina (TPB) é na verdade um complexo de doenças causadas por protozoários do gênero babesia (Babesiabigemina e Babesia bovis) e a bactéria Anaplasmamarginale. Juntos, são responsáveis por vários prejuízos como mortalidade no rebanho, queda da produção de leite, diminuição do ganho de peso, infertilidade, abortos, além de gastos com controle e profilaxia.

O principal vetor para a maioria dos casos de TPB é o carrapato bovino Boophilusmicroplus, capaz de transmitir todos os agentes, mas a A. marginale também pode ser transmitida por moscas hematófagas, as conhecidas mosca dos estábulos ou moscas dos chifres, além de objetos contaminados, como agulhas, lâminas e seringas.

Você provavelmente já ouviu falar de algum caso de TPB, seja por este nome ou pelas outras formas como é conhecido, como Piroplasmose, Babesiose, Anaplasmose, Mal Triste ou Tristezinha. Em sua forma clínica se caracteriza por sintomas como:

  • Episódios de febre;
  • Anemia, onde é comum observar as mucosas ocular e vaginal descoloridas ou até amareladas em casos mais graves;
  • Pelos arrepiados;
  • Sinais de hemoglobinúria (urina com coloração escurecida) principalmente nos quadros causados pelas babesias;
  • Apatia;
  • Debilidade física.

Animais com genética taurina, como a maior parte do gado leiteiro, são menos resistentes a doença, e as bezerras podem sofrer bastante caso estejam com o sistema imunológico deficiente, principalmente por um fornecimento inadequado de colostro após o nascimento. Atenção à fase de transição das jovens bezerras saindo da casinha, pois geralmente é uma fase de alta ocorrência da doença. Animais debilitados ainda exigem maior atenção no cuidado e prevenção da TPB, já que seu sistema imunológico está comprometido.

A gravidade da doença pode aumentar também conforme a idade do animal, pois quanto mais velho o bovino, mais grave é o caso. O diagnóstico é feito através da percepção dos sintomas e confirmado por exames laboratoriais complementares. O tratamento consiste na aplicação da medicação imediatamente após a avaliação clínica e constatação da enfermidade.

A prevenção:
A principal medida deve ser focada no controle estratégico dos carrapatos, principalmente para animais que vivem à pasto. Existem várias opções no mercado de carrapaticidas com diversas formas de aplicação. O rodízio de princípios ativos e seleção por aqueles com baixo poder residual reduz a possibilidade de os carrapatos desenvolverem resistência. Em gado de leite especialmente, devemos tomar o cuidado em não utilizar produtos com alto poder residual, pois apresentam longo período de carência (em geral) para vacas em lactação.

Isso não significa que a melhor estratégia seja sempre a máxima eliminação de carrapatos. Isso porque os animais precisam de ter contato moderado com esses vetores para desenvolverem imunidade adequada. Ou seja, se combatido e mantido em número reduzido na propriedade, os carrapatos que sobreviventes mantêm presente os agentes em níveis tão baixos que não provocam aparecimento da doença, mas garantem a manutenção do sistema imunológico ativo contra ela. O ideal é encontrar esse equilíbrio entre imunidade e doença.

Por isso, cuidados especiais devem ser tomados com animais de regiões com pouquíssima ou nenhuma exposição aos carrapatos. Não terão desenvolvido imunidade para TPB e caso tenham contato posteriormente podem vir a apresentar surtos e casos clínicos agudos. Exames sorológicos e histórico de casos clínicos são dados importantes para identificar situações de risco. E nesses casos, as vacinas são aliadas valiosas.

O controle estratégico de moscas também é importante, para essas e outras doenças. Tais ações passam por uma higiene eficiente do ambiente que os animais convivem, com produtos de qualidade que garantam eliminaçãode toda a sujidade e matéria orgânica que atrai as moscas. O controle das esterqueiras também ajuda a controlar a proliferação das moscas na propriedade.

Quer saber mais sobre isso? Clique aqui e conheça nossos produtos.

E é claro, garanta sempre o procedimento adequado para sanitização de instrumentos cirúrgicos, agulhas e demais objetos que possam servir de vetor contaminante.

Diagnóstico e Tratamento:
Normalmente os surtos ocorrem a nível de rebanho e não em um animal isolado. Os sintomas de babesiose e anaplasmose são muito semelhantes, não atoa são agrupadas sob a mesma definição de TPB. Por isso, o diagnostico laboratorial é indispensável para confirmar o diagnóstico clínico e identificar o agente responsável. Entretanto, não é possível aguardar o resultado laboratorial para iniciar o tratamento (salvo as propriedades que têm condições de realizar o exame na própria fazenda) por se tratar de uma doença muito agressiva ao organismo.

O diagnostico laboratorial será um auxílio, mas os animais devem ser medicados tão logo os sintomas da doença sejam identificados,combatendo a infestação dos parasitas e ministrando um protocolo de medicação que combata as duas doenças, até se obter a confirmação de qual agente etiológico é o responsável. Na realidade, o sucesso dotratamento depende do diagnóstico precoce e pronto tratamento dos animais afetados.

 
Você vai gostar de ler também:
De olho na Normativa: o que muda para o produtor com as IN 76 e 77. 
Gado confinado: 5 dicas para os melhores resultados em sistemas de confinamento. 
Mastite: saiba mais sobre o grande vilão da produção leiteira. 

Quer saber quais os
melhores produtos para o
seu rebanho leiteiro de
acordo com as suas necessidades?

Preencha o formulário que teremos prazer em ajudá-lo!